Say-Ok.com » Fantastiques Novembre

Fantastiques Novembre surgiu como um trabalho para a escola, primeiramente. Mas, como eu precisava criar algo novo, e apenas um artigo fantástico não bastava, resolvi prolongar a história, e deu no que deu. Divirtam-se!

MayGodiva

Era uma noite de Novembro. Nicholas e Destiny estavam andando pelas ruas de Londres. Ela, como sempre delicadamente exuberante, com seus cabelos ruivos suavemente encaracolados um pouco abaixo de seus ombros, e seu sorriso sempre esboçado no canto de sua boca. Ele, com seus olhos azuis que pareciam engolir qualquer pessoa que os desafiasse, e seus cabelos negros arrumados em um vulgo moicano charmoso. Pareciam um casal perfeito… Mas não eram um casal; pareciam destinados a ficarem juntos, mas o orgulho os impedia de tentarem.

Nicholas andava apressadamente sem rumo pelas ruas próximas ao Piccadilly Circus, com Destiny o seguindo com pesarosos passos. Eles haviam acabado de discutir.

-Nick, eu já te disse! Pare com isso!

-Não, Tiny. Eu não vou parar. Você tem que entender que nem tudo é como você deseja! – O garoto andava cada vez mais rápido, com o vento temperadamente gelado batendo contra seu rosto, fazendo-o sentir-se cada vez mais culpado.

-Nicholas… Não estou falando sobre isso! Eu só pedi para que você parasse de dar em cima daquela garota na minha frente, oras. Isso é falta de cavalheirismo, sabia? – Destiny tentava acompanhar os passos de seu quase-amor, sem muito sucesso. Enquanto a garota falava, o ar quente que saia de sua boca quase fazia-se materializado.

-Você sabe que eu não estava dando em cima… – Nick parou de repente. Destiny quase tropeçou com o susto.

-Tem certeza? – ela imitou a voz da garota falando com ele

-Absoluta!

-Nicholas, sua consciência é quem sabe. Só estou dizendo que fazer isso na frente de outra garota é considerado falta de educação!

-Então agora eu sou mal educado também? – o garoto faz cara de desdém.

-Não foi bem o que eu disse…

-Mas foi o que eu entendi.

-Eu não sou responsável pelo que você entende, só sou responsável só pelo que eu digo

– a garota estava começando a ficar profundamente irritada.

Os passos mudaram de ritmo e agora eles andavam lado a lado, na silenciosa cidade gelada. Não conseguiam mais ouvir as buzinas dos carros, ou a agitação da praça mais conhecida da Inglaterra… Nicholas ficou preocupado. Destiny viu isso em seu olhar.

-Nick… O que aconteceu?

-Acho que nos perdemos.

-Dois britânicos perdidos em sua própria cidade? Acho meio improvável.- o garoto franzia sua testa enquanto olhava para seu redor. Ele pretendia começar a falar, mas logo foi impedido por estar boquiaberto, e se sentindo culpado.

No final da rua que estavam, onde normalmente se contraria a London Bridge. Não havia nada. Só o Rio Tamisa, portando uma estranha construção pela metade: o próprio London Brigde.

Destiny ficou sem reação, assustada, e se não bastante, ser ar. Nicholas, vendo o estado que ficara, a abraçou com toda sua força.

-Nick… Por que a ponte que nós atravessamos hoje mesmo não está mais aqui? – disse a garota, que estava com a respiração alta e difícil.

-Acho que andamos para longe o bastante pra ela não ter sido construída ainda. – disse ele com um sorriso assustador nos lábios.

Tiny estava séria. Não conseguia nem sequer olhar o seu redor, apenas encarava os olhos de Nick. Por uma brilhante idéia, Nicholas resolveu pegar seu Iphone no bolso esquerdo… Que não estava mais lá. Destiny, que também já havia checado sua bolsa, viu que seu Tablet havia sumido. Isso parecia cada vez mais assustador.

Como por uma ligação mental, os amigos se olharam e tiverem exatamente a mesma idéia: telefone público.

Nada parecia tão assustador quanto aquela Londres. Na rua, a única iluminação que tinham era a luz do luar, e também viam velas, lareiras e candelabros dentro das casas, que tinham um jeito de serem arquitetadas há, pelo menos, uns dois séculos atrás. Eles podiam ouvir risadas abafadas e longas conversas com uso de palavras e metáforas que só haviam ouvido durante as aulas de Literatura Inglesa.

Tudo o que eles viam parecia aterrorizante. Às vezes, eles achavam que a qualquer minuto podiam ser abduzidos de volta para a Londres do Príncipe William e da Princesa Kate… Que pareciam ainda não existir. Ou quem sabe, algum ator pular da frente deles e dizer que era uma pegadinha… Mas nada disso aconteceu. Tudo o que eles precisavam era um telefone público de cabine vermelha, o símbolo de Londres. Aparentemente, se eles encontrassem um telefone desses, tudo daria certo, e eles voltariam para sua agitada terra da Rainha.

A garota continuava agarrada à Nicholas, que havia cedido seu casaco à ela. Ele tinha o dever de se mostrar calmo e paciente, mesmo que por dentro estivesse roído de medo.

Pouco tempo depois, Nick achou um telefone público. Mais que depressa, Destiny entrou seguida de Nicholas, que fechou a porta. Lá dentro parecia que nada havia acontecido. O garoto agarrou sua cintura por trás e pegou o gancho do telefone.

-Liga pra sua mãe. – a menina obedeceu Nicholas, discando os números, enquanto ele ouvia atentamente pelo gancho se havia algum sinal de pessoas conhecidas.

“Yellow!” alguém atendeu. Aparentemente uma criança.

“Ah, good night! Quem fala?”

“Lauren”

“Olá, Lauren. A senhora Levine encontra-se em casa?”

“Sim, um minuto.” – a criança chamou sua mãe, que rapidamente atendeu a linha.

“Pois não”

“Senhora Levine? Graças a Deus conseguimos falar com a senhora. É o Nick! Eu e a Destiny estávamos andando pelas ruas do Piccadi…”

“Quem?” – a senhora interrompeu o garoto abruptamente.

“Destiny e eu. Sou eu, Nicholas Brody! Seu vizinho”

“Não conheço nenhum Nicholas Brody. Isso é algum tipo de brincadeira? Vou chamar meu marido”

“Não! De maneira alguma! Destiny Levine é sua filha, não é? Seu nome é Jusceline, certo? Jusceline Levine”

“Não. Meu nome é Lie Levine e eu não conheço nenhuma Destiny. Até logo” – e a Sra. Levine desligou na cara de Nick.

Nicholas colocou o telefone no gancho de volta. Nada mais importava naquele momento. Já que nada mais fazia sentido, a não ser a garota que estava à sua frente. Destiny olhava dentro dos olhos de Nicholas de uma forma doce, mas precisa. Ela queria entender como havia sido a conversa.

-E então?

-Você conhece alguma Lauren? – Nick começou a falar, com medo da reação da garota quando soubesse que ninguém mais à conhecia em sua própria casa.

-Lauren… Lie… Só minha bisavó, que se chamava Lauren.. E acho que a mãe dela se chamava Lia, pelo que minha mãe me disse certa vez. – ela soltou uma risada anasalada

-Lie. – Nick à corrigiu

-Como você sabe?

-Porque eu acho que eu acabei de conversar com a elas.

Destiny não precisava entender mais nada. Ela apenas abraçou Nick com força.

-Eu quero ir embora daqui. Agora.

-Calma… Precisamos descobrir onde estamos.

-Londres antiga, não está vendo, Nicholas? – uma lágrima correu pelo rosto da garota.

Ele, sem reação, apenas a abraçou de volta, e prometeu-lhe que tudo daria certo.

Eles acabaram por pegando em um sono profundo. Ele, abraçando ela entre suas pernas, sentados no fundo da cabine. Parecia uma missão impossível duas pessoas dormirem ali… Mas o impossível pode se tornar realidade quando menos espera.



Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes